Fim da escala 6×1 pode encarecer obras e reduzir ritmo da construção civil
A possível extinção da escala de trabalho 6×1 tem gerado preocupação em entidades do setor da construção civil, que apontam riscos de alta nos custos operacionais e até de queda na renda de profissionais. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção estima que a diminuição da carga horária semanal de 44 para 40 horas, mantendo os salários atuais, cause um acréscimo de até 15% nos gastos diretos com equipes e de pelo menos 6% no valor total dos empreendimentos.
Para suprir o volume de horas que deixariam de ser realizadas anualmente, o setor calcula que seriam necessários cerca de 288 mil novos funcionários, gerando um impacto financeiro aproximado de R$ 13,5 bilhões por ano. O SindusCon-SP projeta que o encarecimento da mão de obra provocará uma alta de 5% a 6% nos preços dos imóveis residenciais, tornando empreendimentos de interesse social e de infraestrutura inviáveis sem reajustes contratuais.
Projeções da Cbic indicam que a mudança na jornada poderá resultar em uma queda de 30 mil unidades habitacionais financiadas por ano, afetando diretamente cerca de 83 mil pessoas anualmente. Além disso, o Secovi-SP destaca que a limitação de horas pode estender o prazo de conclusão das obras e prejudicar os ganhos de profissionais que recebem por produtividade ou trabalham por hora.
Diante do cenário, as entidades do setor reforçam que a aplicação de uma regra única para todas as atividades é inadequada e defendem a negociação direta entre patrões e empregados. Elas também apontam que o avanço da medida exige investimentos em qualificação profissional e industrialização dos processos para evitar danos à economia e à entrega de moradias populares.