Lula e Flávio divergem sobre economia e ajuste fiscal
As propostas econômicas apresentadas pelos candidatos Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro revelam visões distintas sobre a condução das contas públicas, a política tributária e as relações de trabalho. Enquanto o plano de Lula aposta na manutenção do modelo atual, com investimentos estatais, programas sociais e valorização da renda, a plataforma de Flávio defende a redução da máquina pública, cortes de despesas e diminuição de impostos e encargos.
No aspecto fiscal, Lula pretende preservar o arcabouço atual, controlando despesas e associando o equilíbrio das contas ao crescimento econômico, além de aplicar uma tributação mais progressiva para as rendas elevadas. Em contrapartida, Flávio propõe uma nova regra fiscal atrelada à trajetória da dívida e cortes em despesas administrativas, como ministérios e cargos comissionados. Em agosto, a coordenadora econômica Daniella Marques afirmou que o plano prevê um ajuste de 1,5% do PIB, cerca de R$ 190 bilhões para 2025. Em relação aos programas sociais, como Bolsa Família e Farmácia Popular, o candidato negou em 9 de dezembro que pretende extingui-los.
No campo do trabalho, o programa de Lula defende a valorização real do salário mínimo e a redução da jornada semanal para 40 horas sem perda de remuneração, além de manter direitos trabalhistas. Já a equipe de Flávio foca na diminuição dos custos de contratação para empresas, flexibilização de modalidades de trabalho e estímulo ao agronegócio e à produção nacional de fertilizantes.
O histórico das gestões recentes aponta diferenças nos indicadores macroeconômicos de cada período. Entre 2019 e 2022, o governo Jair Bolsonaro registrou crescimento médio do PIB de 1,4% ao ano e encerrou 2022 com a dívida bruta em torno de 72% do PIB, em um cenário marcado pela pandemia e conflitos internacionais. No terceiro mandato de Lula, de 2023 a 2025, o PIB teve alta média de aproximadamente 2,9% ao ano, com queda do desemprego para 5,6% em 2025 e a dívida pública alcançando 82,9% do PIB em agosto deste ano.