Maioria das cidades da região de Campinas não tem Delegacia da Mulher
Um levantamento recente aponta que 19 das 31 cidades da região de Campinas, o equivalente a 61,3% dos municípios, não contam com uma Delegacia de Defesa da Mulher. A ausência de estruturas especializadas e o funcionamento restrito fora do período comercial expõem barreiras para o registro de ocorrências e para a obtenção de medidas protetivas.
A gravidade da situação foi evidenciada no domingo (11) em Americana, onde Jeane Cristina Mattes, de 43 anos, foi morta a facadas pelo ex-companheiro Jonatã de Jesus Batista, de 40 anos. O crime ocorreu durante a festa de aniversário de 15 anos do filho e marcou o primeiro feminicídio registrado na cidade em 2026. A vítima possuía medida protetiva e o agressor foi preso em flagrante.
O deslocamento entre municípios para buscar atendimento especializado também foi relatado por uma moradora de Nova Odessa, que precisou ir a Sumaré e a Americana após sofrer agressões do marido. A necessidade de viajar dificulta o processo e pode desestimular denúncias, segundo avaliação de especialistas e das próprias vítimas.
Em todo o estado de São Paulo, 79,7% das cidades não possuem unidades especializadas, índice que chega a 67,3% considerando as regiões de Campinas e Piracicaba. A delegada Pietra Duarte de Mendonça esclarece que delegacias comuns realizam o registro inicial e encaminham os casos, mas defende a capacitação de policiais femininas para um acolhimento mais humanizado nesses locais.
Com informações de g1.globo.com.