O comportamento da Bolsa após o primeiro turno das eleições
Na última segunda-feira dia 5, o Ibovespa registrou um salto expressivo de 7,7% no primeiro pregão após o primeiro turno, ultrapassando a marca inédita de 200 mil pontos. O movimento foi impulsionado pela leve liderança de Flávio Bolsonaro sobre Lula, atraindo a atenção de investidores que viram no resultado um sinal positivo para o cenário político e econômico.
Apesar do otimismo inicial, análises do comportamento da Bolsa nas últimas seis eleições presidenciais, entre 2002 e 2022, indicam um padrão de cautela. O principal índice acionário subiu após cinco dos primeiros turnos, com média de 2,1%, mas recuou em quatro das seis ocasiões seguintes ao segundo turno, registrando queda média de 1,3%.
Especialistas lembram que o mercado financeiro opera com base na realização de lucros e na máxima de comprar no boato e vender no fato. O primeiro turno representa o momento de surpresa e definição de apostas, enquanto o segundo turno costuma apenas confirmar expectativas que já haviam sido incorporadas às cotações das ações.
Além disso, a dinâmica da B3 conta com forte participação de capital estrangeiro, responsável por cerca de 63% do volume diário negociado, conforme dados do JPMorgan. Grandes gestores internacionais priorizam o retorno financeiro e tendem a realizar lucros rapidamente, desconsiderando afinidades partidárias ou locais.
Diante desse cenário, analistas reforçam que apostar todas as fichas no resultado de uma única segunda-feira pós-eleição pode ser arriscado. A recomendação para investidores que buscam estabilidade continua sendo a diversificação da carteira, mantendo o foco no longo prazo para evitar surpresas com a volatilidade política.
Com informações de redir.folha.com.br.