O legado de Olavo de Carvalho no bolsonarismo sob a ótica de Flávio
Dias após o primeiro turno de uma eleição em que Lula apareceu atrás de Flávio Bolsonaro, um assessor do atual governo confessou, em tom de brincadeira, que passou a ler os textos de Olavo de Carvalho para decifrar a base ideológica do movimento bolsonarista. O influenciador e autoproclamado filósofo, falecido em 2022 nos Estados Unidos, acumulou seguidores dedicados a pautas como a guerra cultural, o anticomunismo e o ceticismo em relação a consensos científicos e climáticos.
Em 2019, o pensador exercia forte influência na formação da gestão de Jair Bolsonaro, emplacando nomes no Palácio do Planalto e em pastas como Educação, Relações Exteriores e Economia, embora tenha rompido com o ex-presidente antes de sua morte. Para Eduardo Bolsonaro, o legado do escritor permanece relevante como referência filosófica, embora ele próprio admita mudanças em sua visão, adotando posturas mais estratégicas inspiradas pelo pensamento de figuras como o vice-presidente americano JD Vance.
Por outro lado, o perfil de Flávio Bolsonaro se distancia do radicalismo ideológico que o escritor defendia, aproximando-se de articulações com o Centrão e apresentando uma postura considerada mais moderada durante a campanha. A proximidade de Flávio com o grupo olavista contrasta com a presença de auxiliares distantes dessa vertente, criando um cenário político interno plural.
Nas diretrizes econômicas, a campanha de Flávio tenta conciliar propostas de corte de gastos públicos com estímulos à industrialização e manutenção de auxílios sociais. Desse modo, a possível administração busca equilibrar heranças teóricas diversas, reunindo referências que vão desde o pensamento de Olavo de Carvalho e da Escola de Chicago até traços do nacional-desenvolvimentismo histórico.