Oposição da Venezuela reafirma apoio a Maria Corina Machado
A principal coalizão de oposição da Venezuela, reunida na Plataforma Unitária Democrática, renovou o respaldo à liderança de Maria Corina Machado durante um encontro realizado no domingo em Caracas. Os partidos opositores exigiram a realização de eleições livres no país e divulgaram 14 propostas para viabilizar uma transição democrática, incluindo a libertação de presos políticos e o retorno seguro dos exilados. Machado vive fora do território venezuelano desde dezembro passado, após deixar o país para receber o Prêmio Nobel da Paz.
O ex-candidato presidencial Edmundo González usou as redes sociais para endossar as propostas do grupo, reforçando que a sociedade exige viver em liberdade e sob uma ordem constitucional legítima. Atualmente, o governo interino é liderado por Delcy Rodríguez, que assumiu o comando em três de janeiro, mantendo o Partido Socialista Unido da Venezuela no poder mesmo após a operação militar dos Estados Unidos que removeu o ex-presidente Nicolás Maduro. Washington tem apoiado a gestão de Rodríguez enquanto pressiona por reformas e mantém o controle sobre os recursos petrolíferos locais.
Enquanto isso, María Corina Machado declarou recentemente que deseja ver novas eleições na Venezuela até julho do próximo ano, embora o governo mantenha barreiras para impedir sua reentrada no país. O partido Vente Venezuela relata que as autoridades têm bloqueado as tentativas da líder opositora de voltar para casa, ao mesmo tempo em que surgem divergências nos bastidores com a administração de Donald Trump. Autoridades norte-americanas criticaram publicamente a insistência da opositora em retornar em momentos de crise, classificando a movimentação como oportunismo político.
A trajetória de Machado na política venezuelana é marcada por forte repressão estatal, incluindo a cassação do seu mandato na Assembleia Nacional em 2014 e a proibição judicial de 15 anos para ocupar cargos públicos, imposta em 2024 devido ao apoio a sanções internacionais. Diante dos impasses, uma nova rodada de negociações políticas foi iniciada neste mês entre o governo de Rodríguez e representantes da Assembleia Nacional de 2015. O Departamento de Estado dos Estados Unidos elogiou as conversas, avaliando que o diálogo civil contribui para reformas e pavimenta o caminho para futuras eleições credíveis.