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Radiografia detalhada explica o tamanho da abstenção eleitoral

Ygara news
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Radiografia detalhada explica o tamanho da abstenção eleitoral

No primeiro turno de 2026, um em cada cinco eleitores não compareceu às urnas, totalizando 32,9 milhões de ausências, o mesmo patamar registrado em 2022. Embora o índice costume ser interpretado como um sinal de desinteresse, especialistas apontam que parte desse volume é composta por pessoas que possuem voto facultativo ou por distorções administrativas no cadastro eleitoral.

Para entender melhor os números, pesquisadores analisaram a divisão da abstenção em camadas com base nos dados de 2022 do TSE e do CepespData. A primeira camada é formada por quem tem voto facultativo, como jovens de 16 e 17 anos, analfabetos e idosos com 70 anos ou mais, grupo que representava 13% do eleitorado e respondeu por 32% das ausências naquele ano. O envelhecimento populacional faz com que essa parcela da abstenção cresça naturalmente com o tempo.

Uma segunda camada envolve cadastros desatualizados de pessoas falecidas, já que as regras atuais não cancelam automaticamente o título de quem tem voto facultativo e deixa de comparecer. Em 2026, o sistema registrava 298 mil inscritos com 100 anos ou mais, enquanto o Censo de 2022 apontava 38 mil centenários no país. Na faixa de 90 anos ou mais, havia 1,3 milhão de nomes no cadastro frente a 814 mil moradores estimados pelo IBGE, o que eleva artificialmente as taxas de ausência.

Quando essas camadas são descontadas, a abstenção real entre os eleitores com voto obrigatório em 2022 cai de 20% para 16,3%. Além disso, a estabilidade nas ausências entre 2022 e 2026 foi influenciada pelo cancelamento de cerca de 5 milhões de títulos em 2025 pela Justiça Eleitoral. Apesar disso, o problema da desigualdade persiste, pois a abstenção entre obrigados é maior entre pessoas sem ensino fundamental completo e em municípios com maior proporção de pretos e pardos.

Especialistas defendem que medidas simples da Justiça Eleitoral ajudariam a mensurar o fenômeno com mais precisão. Entre as sugestões estão cruzar o cadastro eleitoral com bases federais de mortalidade, garantir a comunicação de óbitos em todos os estados, revisar os registros de maiores de 90 anos e separar a divulgação de dados entre votantes obrigatórios e facultativos.

Com informações de www1.folha.uol.com.br.

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