Relação entre renda e voto revela avanço de Flávio e queda de Lula
O presidente Lula registrou queda de votos em quase todas as faixas de renda no primeiro turno em comparação com 2022, com maior impacto nas classes médias. O recuo mais acentuado do petista ocorreu em domicílios com renda média de cerca de 1,71 salário mínimo, o equivalente a R$ 2.700. Em contrapartida, o candidato apresentou crescimento entre os 4% eleitores com maior poder aquisitivo no país.
Por outro lado, Flávio Bolsonaro avançou sobre todas as faixas de rendimento na comparação com o desempenho de Jair Bolsonaro em 2022. O político do PL registrou expansão especialmente entre os estratos mais pobres, além de liderar a preferência nos segmentos que vão de 1,6 até 16,3 salários mínimos, conjunto que engloba 68% da população brasileira.
A análise cruzou os votos do primeiro turno nos 468 mil setores censitários do Brasil com a renda média apurada pelo Censo Demográfico de 2022, divulgado em 2026 pelo IBGE. Lula manteve ampla vantagem entre os mais pobres, obtendo 76% dos votos na faixa de 0,7 salário mínimo, enquanto o principal adversário atingiu seu pico na faixa de 2,9 salários mínimos, com 56% da preferência.
Especialistas apontam que fatores como endividamento, inadimplência e juros altos ajudam a explicar a insatisfação da classe média, mesmo diante de indicadores positivos de emprego. Além disso, análises regionais demonstram que o peso da renda varia bastante pelo país, com o Nordeste mantendo forte aderência ao voto em Lula, enquanto outras regiões registram forte influência de fatores culturais e institucionais.
Com informações de redir.folha.com.br.