Pular para o conteúdo
Quarta-feira, 21 de outubro de 2026 ⛅ Manaus 28°C Parcialmente nublado
GERAL

Tom Zé chega aos 90 anos celebrando a estética da imperfeição

Ygara news
Compartilhar
Tom Zé chega aos 90 anos celebrando a estética da imperfeição

O cantor e compositor baiano Tom Zé completa 90 anos consolidando uma trajetória marcada pela subversão dos conceitos tradicionais de virtuosismo e bom gosto na música brasileira. Desde a década de 1960, o artista adota a imperfeição como um método crítico, construindo arranjos propositalmente hesitantes, incompletos e marcados por rupturas harmônicas. Essa estética desafia os padrões convencionais da indústria cultural e expõe o próprio processo de fabricação da obra musical.

O projeto estético e político do músico ganhou força em álbuns emblemáticos como Grande Liquidação, de 1968, e no trabalho lançado em 1972 que posteriormente recebeu o título de Se o Caso É Chorar. Em suas criações, Tom Zé uniu rigor técnico na captação e equalização do som ao combate deliberado contra a aparência de sofisticação. A iniciativa encontrou paralelos na poesia concreta de Augusto e Haroldo de Campos e na arquitetura de Lina Bo Bardi, que também valorizavam a incompletude como forma de aproximação com o público.

A ousadia do artista também alcançou o aspecto visual de seus discos, como na polêmica capa de Todos os Olhos, de 1973, que exibia a imagem de uma bolinha de gude entre os lábios de uma mulher como um desafio velado à censura da ditadura militar. Ao longo das décadas seguintes, ele continuou a experimentar com a desconstrução do samba em Estudando o Samba, de 1976, e a introdução de ruídos industriais em Com Defeito de Fabricação, de 1998.

Apesar de integrar o núcleo original do movimento tropicalista e participar do disco manifesto de 1968, Tom Zé permaneceu por muitos anos à margem da grande consagração comercial do gênero. Ao levar a sério a potência transformadora da precariedade e do improviso, o compositor baiano estabeleceu-se como uma das vozes mais radicais, originais e independentes da cultura nacional.

Com informações de www1.folha.uol.com.br.

Leia também