Weintraub confirma abstenção no segundo turno e critica Flávio Bolsonaro
O ex-ministro da Educação Abraham Weintraub declarou que não comparecerá às urnas no segundo turno do pleito, marcado para 25 de outubro, mantendo a mesma postura que adotou no primeiro turno. Atualmente morando nos Estados Unidos, o ex-integrante da gestão de Jair Bolsonaro justificou sua decisão citando uma frase atribuída ao teólogo Charles H. Spurgeon sobre não escolher entre dois males.
Apesar de ter mantido relação próxima com os filhos do ex-presidente durante seu período no comando da pasta ministerial, Weintraub afirmou que recusa apoiar Flávio Bolsonaro devido às acusações de corrupção que envolvem o senador. O economista relembrou que seu afastamento do grupo ocorreu em 2020, coincidindo com a chegada do centrão ao governo, e enfatizou que jamais apoiou figuras políticas sobre as quais recaiam dúvidas de honestidade.
Flávio Bolsonaro tornou-se alvo de investigações conduzidas pela Polícia Federal que apuram supostos crimes de corrupção, evasão de divisas e lavagem de dinheiro no contexto da produção do filme Dark Horse, uma obra cinematográfica biográfica sobre seu pai. A abertura formal da investigação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, em 22 de julho deste ano.
O ex-ministro também expressou descrença no sistema eleitoral e institucional do país, afirmando que o Brasil não vive sob uma democracia plena. Segundo ele, faltam independência no voto conforme a Convenção Americana sobre Direitos Humanos e auditorias nas urnas nos moldes previstos em lei, o que o leva a recusar participação no processo.
Weintraub esteve à frente do Ministério da Educação de abril de 2019 até junho de 2020, quando deixou o cargo após repercussão negativa de declarações contra magistrados do STF. Sua saída ocorreu em meio a crises institucionais e resultou na inclusão de seu nome em inquérito que investigava a propagação de ofensas e notícias falsas contra os integrantes da mais alta corte do país.