Entidades temem impacto do fim da escala 6×1 em pequenos negócios
Entidades empresariais da região de Ribeirão Preto, em São Paulo, manifestaram preocupação nesta quinta-feira (15) com a aprovação no Senado da Proposta de Emenda à Constituição que encerra a escala de trabalho 6×1 e institui o modelo 5×2. Representantes do setor produtivo criticam a velocidade da tramitação em Brasília e apontam que os custos operacionais adicionais podem ser repassados aos consumidores finais.
A FecomercioSP, junto a sindicatos do comércio de Ribeirão Preto e Sertãozinho, calcula que a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, mantendo os salários atuais, gerará uma alta nacional de R$ 158 bilhões em despesas com pagamentos. O setor aponta que micro e pequenas empresas, além de bares e restaurantes, terão dificuldades para absorver tais encargos e lidar com a nova dinâmica de contratações.
Segundo Nicolás Horta, presidente da Abrasel Alta Mogiana, o principal receio recai sobre os empreendedores de menor porte, dos quais mais de 40% já enfrentam endividamento. Enquanto grandes redes conseguem absorver melhor as mudanças, os pequenos estabelecimentos correm o risco de enfrentar quedas nas margens de lucro, fechar em dias específicos ou até mesmo migrar para a informalidade.
O texto aprovado estabelece uma transição dividida em etapas. A partir de 60 dias após a promulgação pelo Congresso, a jornada máxima cai para 42 horas semanais e o direito às duas folgas passa a valer, enquanto o teto definitivo de 40 horas entra em vigor 12 meses depois. A aplicação exata dos turnos dependerá de futuras regulamentações e de negociações coletivas entre sindicatos e categorias.
Em contrapartida, especialistas em recursos humanos e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos ressaltam os pontos positivos da mudança para os trabalhadores. A expectativa do Dieese é de que até 26,8 milhões de pessoas sejam beneficiadas com a nova rotina, que visa melhorar a qualidade de vida, reduzir o esgotamento profissional e diminuir a alta rotatividade de funcionários nas empresas.